terça-feira, 27 de setembro de 2011

Vinicius


"...E assim quando mais tarde me procure,
quem sabe a morte, fim de quem vive,
quem sabe a solidão, fim de quem ama,
eu possa me dizer do amor que tive:
Que não seja imortal, posto que é chama,
mas que seja infinito enquanto dure"
Esse foi o único poema que fui capaz de decorar na vida. No entanto, o poeta não me avisou que as chamas viram brasas e voltam a acender com um simples sopro.
O mundo separa aquilo que não pode estar perto. Diferenças enormes criam uma distância aonde tudo é absolutamente muito próximo.
As semelhanças desconhecem tais diferenças, tudo parece muito igual e muito intimo. Nada de um é incompreensivel para o outro, nada é sentido em descompasso com o outro.
No mesmo momento, a mesma vontade, a sensação de que um chama o outro, a presença constante.. Tudo isso deve ser esquecido, uma realidade virada em abismo transforma em diferenças intransponíveis aquilo que no seu âmago é absolutamente idêntico.
Saído do sonho da infância e tornado vivo, mas tarde demais.
A distancia, o tempo e a vida parecendo fácil e feliz esconde no canto do sonho a esperança de um dia voltar.
Um segredo aguardando para ser revelado. Se o tempo passa pode ficar tarde demais, mas a certeza de que o curso de um rio não pode ser interrompido faz esperar. Não se tem noticias de nada. O passado distante vira ontem e o nunca mais, amanhã. Estar junto novamente é ter estado sempre assim, a mesma intimidade e semelhança. Dizer que está acabado faz perguntar pelo objeto e faz lembrar do passado que ainda está ai.