quarta-feira, 31 de março de 2010

Mercedes Sosa

07 de dezembro
Mercedes Sosa: Cantora
Estou assistindo o dvd da gravacao do ultimo dc da Marcedes Sosa. Chama-se "A cantora" Ela esta muito cansada, velha e gravou o cd com outros cantores latino-americanos ou de lingua espanhola (porque Joaquin Sabina e espanhol e nao latino-americano). Saber que ela morreu alguns meses depois de gravar esse cd faz pensar que se trata de um velório, de uma despedida. Faz alguns anos que descobri a musica espanhola na voz de Joaquin Sabina, depois passei a escutar outros e mais outros. Nao posso dizer mais nada sem quebrar a magia da escuta, É musica, é divina.



19 de novembro
Johnny Cash e Eu
Comprei um Dvd do Johnny Cash cantando na Dinamarca em 1971. Estranho assistir a imagem da voz que a gente curte. As vezes, enquanto dirijo para a clinica, naquelas manhas que o dia parece será uma coisa insuportavelmente longa e que a cama grudou no meu corpo na tentativa de não me deixar acordar, toco “Folson Prision” bem alto e consigo chegar.
A voz dele enche o carro, eu imagino seu sorriso de canto de boca e o olhar malicioso que vi no dvd. O mesmo olhar que o ator no filme “Johnny e June” reproduziu merecendo um oscar.
Já me perguntei se o que me encanta é mesmo a melodia da voz dele ou a empolgação pelo romance deles. Ela esta no dvd, o cabelo parece peruca, a cintura grossa como uma melancia e o olhar dele para provar como não se trata disso o amor.
Enquanto as chapinhas e as mechas transformam as mulheres em belos robôs em série, as Junes e os Johnny nos surpreendem com um amor além das aparências, ou melhor fora dos moldes de aparência. Não estou defendendo que as pessoas se apaixonam por quem elas acham feias e sim que elas acham bonitas, mesmo que as revistas não achem.
Uma bunda grande arrebata muito mais que 5 kg abaixo do peso. Johnny Cash não era propriamente aquilo que as pessoas chamariam de homem bonito, mas tem um olhar e um sorriso malicioso que certamente me faria largar muita coisa, sorte minha que ele já morreu de velho.

De Sabina para Mercedes



13 de outubro

Encontrei essa pérola: Mas como toda pérola, há que ter bons dentes.





Violetas para Mercedes

Se nos murió la gran dama,Negra Sosa, pacha mamade Corrientes,que bordó puntos y comasen las prisas del idiomade la gente.
Martina Fierro de leyque sin dios,
patria ni reytiró p'alante,antes de decir adiósme propuso un blues a dosvoces distantes,distintas,
y, sin embargo,cerquita del ron amargoque consuela,
que abruma, que mortifica,que suma, que santifica,que desvela.
Cuando rompió la baraja,hizo del bombo su cajade
Pandora,entre el mestizo y el yanquise quedaba con Yupanquihasta la aurora.
Todos menos uno, dijo,provocando el acertijode
Cosquín,militante del futuro,no pudo con ella el murode Berlín.
Canto ancestral de Argentina,la más frutal de las minas,todo es nada,no sabe cómo la lloro,desafinando en el corode las hadas.
Madrina de los roquerosmás intrusos, más villeros,menos brutos;en calle melancolíami letra y su melodíavisten de luto. Más de una vez la besépero nunca olvidaréla noche aquella:aquel piano y su vozy mi sonanta y la cozde las estrellas.
Me aterran las despedidaspero gracias a la vida de Violeta,
Mercedes inventó el sonque duerme en el corazónde los poetas

Romeus e Julietas



10 de outubro
Romeus e Julietas
Daqui, do meu leito de moribunda e esquartejada, não consigo pensar outra coisa: Lembrar dos seios da Julieta no filme de Zefirelli é atestado de velhice.
Eu não lembro dos seios da Julieta, eu ainda suspiro pela bunda do Romeu. Naquela cena quando ele levanta da cama para escutar melhor o canto do Rouxinol e fica de costas para o mundo inteiro. Cena que se grudou na nossa memória infanto -juvenil, é uma lembranca de digna de psicanalise.
Tirei uma foto na Italia ao lado da cama que supostamente teria sido da Julieta, na casa que supostamente teria sido da Julieta. Naquela semana Verona estava comemorando o dia dos namorados, portanto, o dia dos Romeus e das Julietas. A cidade inteira estava decorada com enormes corações ilumindos que deixava a noite muito romântica.
Na filarmônica de Verona escutei Bacalov, aquele que escreveu a musica de dois outros namorados em “O carteiro e o Poeta”. Foi a primeira vez que chorei em um concerto, ainda bem que ninguém viu. Ao chegar no hotel até me tomei por poeta e escrevi isso. Para os meus Romeus da vida inteira. Voces nao sabiam que anestesia dá barato? É, viajei.

Em Verona sou tua Julieta
Em Troia tua Helena,
Em Atenas tua Penélope
e aqui, no bairro mais próximo
A Puta que comes na esquina

La douler

07 de outubro
La Douleur
Eu li Marguerite Duras pela primeira quando foi lancado no Brasil o filme "O amante", digo isso com alguma vergonha,no entanto, nunca mais esqueci. Nas últimas páginas do livro, quando ela adulta em Paris recebe a ligacao daquele homem já velho dizendo que havia passado toda sua vida pensando nela, me acompanham até hoje. Esse amor prisao que nos condena a jamais esquece-lo. Nao achei belo, na verdade, nao se tratou disso, foi um sentimento de profunda tristeza que me acompanhou desde entao. Lembrar sem nunca mais deixar de amar é uma condenacao, tal como faziam as fadas más ou as bruxas dos contos de fadas: "Para sempre". Nao posso dizer que Margeurite Duras me apresentou a melancolia, esta é minha velha conhecida, fez-me entende-la melhor. Depois li o livro que mais me tocou e que agora revivi no POA em Cena: La Douleur. A espera, uma mulher que espera. Apenas hoje consegui perceber porque esse livro ficou na minha memoria mais como uma trauma do que como uma distracao. Isso, tem livros ou filmes que sao traumáticos, que a gente sobrevive a eles. Esse foi um deles. Verdade que eu sempre quis escrever como ela. Poder falar assim do meu sofrimento e dar um sentido para a melancolia que nao só ser sofrida por ela. O marido, um comunista, foi preso em um campo de concentracao. A guerra estava acabando e muitas pessoas estavam voltando desses campos. Ela nao tinha noticias e ficava em casa esperando que a qualquer momento o telefone que poderia tocar ou a porta, para avisar que ele havia voltado vivo. Bem o desenrolar do livro é muito interessante , mas, descobri que o me captura é a angútia da espera. O insuportavel dos minutos que podem modificar a nossa vida, o nosso humor, e transformar a profunda tristeza em uma grande felicidade. Nao se trata de qualquer espera, por exemplo a espera de um filho, a espera de um almoco, de um baile, de uma amigo, mas a espera de alguem que nao se sabe se vem, de alguem que nao nos diz se vem. Acho que é esse sentimento que ela divinamente nos transmite. De chorar.

Tenho certeza que a cidade que mais me emociona é o Rio de Janeiro. Também pelas inúmeras lembranças gostosas que tenho de lá, das caminhadas pelo aterro do Flamengo e dos banhos de sol em Ipanema. Pela visao do Cristo todo iluminado a noite, pelo cheiro da maresia e pelo sol batendo no mar. No entanto, as cidades Italianas me tocam de uma maneira difícil de descrever. A primeira que conheci foi Nápoles. Eu tinha acabado de ver "O carteiro e o Poeta" e ainda estava tocada pela frase da tia da Isabella: "Prefiro que alguem te leve a mao a bunda que te toque com palavras". Nápoles tem cor, tem lambretas, tem sol, tem paginas e paginas de petruccis na lista telefônica o que me fez ter certeza que eles vieram mesmo de lá. Depois Pompéia, inacreditavelmente atual, real. Veneza que nao suportei o romantismo e acabei brigando com meu marido. Páduva e a arcada do Santo Antonio, coitado, esquartejado pelos fieis. A Fontana di Trevi que parecia maior e mais bonita no cinema, mas o cinema faz isso, transforma tudo em maior e mais bonito.
Mas desta vez, e as fotos estao ai para mostrar, teve Milao e a neve que vi finalmente, caindo forte como chuva e branqueando tudo parecido Natal de filme. Teve Pizza, Como, Lugano, Genova e o tal de Cristovam que pelo tamanho da casa que morava deveria ser anao. Bergamo que jamais vou esquecer. Bergamo alta com ruas estreitas, restaurantes pequenos que convidam para um almoco a dois, com vinho e uma nesguinha de sol batendo no rosto. Lojinhas de cheiros e sabores, casas antigas e igrejas com historias infindaveis de artistas locais falando de Deus. Lá de cima Bergamo baixo, parece um cenario que vai acendendo as luzes vagarosamente enquanto o bruma encobre os morros, chorei. E, chorei de novo quando escutei Bacalov tocar seu tango em Verona. Lá me senti Julieta e morreria mil vezes se fosse preciso para jamais apagar a lembranca do imenso amor que se pode sentir por estar viva e estar ali. Viverei para voltar, agora a Palermo, a Capri e outras pequeninas cidades do sul, e prometo, vou chorar.

Outro Conto

26 de agosto


Dor




A casa tinha uma pequena torre e foi apenas isso que a entusiasmou na mudança da fazenda para a cidadezinha. Transformou o lugar no seu refugio. Ali, daquele pequeno mirante ela conseguia ver tudo ao redor. Costumava ficar lá muitas horas costurando, bordando, cerzindo, às vezes, só olhando ou pensando. Muita coisa importante decidiu naquele lugar, entre elas mandar as filhas para o internato em uma cidade maior. Decisão difícil, o marido alegava que era cedo demais para as meninas deixarem a casa, ela achava que uma educação refinada só era possível em uma escola interna. Claro, jamais poderia imaginar o que estava por vir. As meninas em casa poderiam ter ajudado muito com os mais novos.
Ficava feliz e tranqüila quando sua vista ia longe. O jardim, as arvores, o murinho branco, as ruas, os vizinhos, a estrada e além deles os campos muitos verdes lhe dando a sensação de que existem muitos mundos, mesmo que não possamos vê-los, assim tinha mais esperança.
Não poderia imaginar um dia que sentiria saudades daquela cena diária. A charrete do marido apontava antes da ponte, mesmo que ela não reconhecesse ao longe os gestos fortes com que ele batia na parelha de cavalos, poderia reconhecê-lo pelo chapéu, com abas mais largas que o normal. Esboçou um sorriso triste ao pensar que agora pareciam mais largas no seu rosto estava cada vez mais fino.
“Me alcança um mate. Presta atenção no que estas fazendo guria. Assim, derramas tudo no chão e chama a Maria. Não, não precisa chamar. Diz para ela levar o guri para o sol. Diz para ela enrolar um xale nele, e colocá-lo na cadeira de balanço que ele gosta. Ele precisa tomar sol, o médico disse. Rápido antes que fique tarde e que o pai chegue para almoçar”
Ela precisava tomar conta de tudo, seguir tocando a vida e ser forte, apesar de todo seu cansaço e tristeza.
Conseguia ver o guri ao sol, a manta cobrindo parte das pernas, o corpo excessivamente magro, a pele muito mais branca. Era o mais belo dos seus filhos. Desde o nascimento sabia que algo nele era diferente, mais meigo, mais obediente, com um olhar brilhante como que agradecendo todo tempo vivido. O peito doía forte, não podia mais falar com o marido sobre isso, ele já estava pele e osso e no rosto a marca do sofrimento não deixava duvidas que estava no limite. Deveria poupá-lo, quem tomaria conta do abatedouro, do gado, da fazenda? Os outros filhos precisavam ser alimentados. O mundo não pararia para enterrar seu caçula.
Um dia, ao amanhecer, na mesa do café, alguém notou o olho inchado do menino. Não adiantava fingir que não antecipou a tragédia que viria, nenhuma das doenças que conhecia, ou que os outros filhos haviam tido, começava assim, tempos sofridos previra. Um ano depois, ainda podia ver essa primeira manifestação na foto tirada em Montevidéu quando foram consultar, o terno marrom já folgado, o sorriso parado, o olho caído.
Aconselharam levá-lo para a capital, de nada adiantou. O medico, outro menino sem experiência, encaminhou para mais exames e só souberam do que se tratava quando já era tarde demais. Fosse outros tempos a doença teria cura. A medicina evolui ventando.
“Apura guria, ceva mais um mate. Vai lá e diz para a Maria conversar com ele. Calada, feito um espantalho, vai fazer o guri piorar e avisa para lhe colocar um chapéu, o sol esta forte, nem parece de inverno.”
Pensou que as férias estavam próximas, rapidamente as filhas voltariam do colégio e a ajudariam a distrair o guri, ele já estava sentindo falta da escola. No inicio, achou divertido ficar em casa, odiava estudar, mas o tempo foi passando. Quando estava um pouco menos abatido pedia livros e gibis, ate tentou jogar bola com os irmãos. Ela chegou a tempo de impedir, brigou com a Maria. Pagava-a para obedecer às ordens, para cuidar do menino e não para achar isso ou aquilo. Não sabia que com a fraqueza e se exaurisse as forcas a doença avançaria?
Precisava se cuidar. Não podia descarregar nas empregadas ou nos outros filhos a angustia que vivia.
Algumas manhas quando o marido levantava mais cedo para sair de viagem, sozinha na cama podia chorar, mas o fazia baixinho, tinha medo que o guri a escutasse do quarto ao lado. Depois do aparecimento da doença ela o tirou do quarto dos meninos e o colocou naquele ao lado do seu, destinado ao bebes pequenos. De uma coisa tinha certeza, não teria mais bebes para colocar ali. Perdeu dois filhos no ventre, um outro que nasceu morto, e agora esse com 10 anos. Era para secar o útero de qualquer mulher. Sorte o marido também estar assim, sem vontade de mais nada.
Na escada os passos pesados e o cantarolar da guria de recados, “Essa não se abala com nada, que pestinha atoa, se não fosse minha afilhada já tinha mandado embora. Está pronto o almoço? Seu Ignácio já vai apontar.” E, olhou o horizonte para ver se avistava a poeira na estrada adiantando que o marido estava vindo cansado, querendo logo almoçar e dormir um pouco para depois voltar ao trabalho.
As vezes ficava com raiva dessa distancia do Ignácio, desse jeito de nunca falar na doença do filho, de nunca se queixar, apenas emagrecer e ir se curvando como se quisesse alcançar os joelhos com o queixo. No entanto, sabia que precisava ser forte para suportar a dor do marido e a sua, se o marido ficasse em casa chorando quem trabalharia?
Noutro dia, o guri choramingava de dor, ela não agüentou, suas pernas tremeram e se atirou na cama a chorar. O marido não disse nada, entrou no quarto, depois de beijar o filho, deitou-se ao seu lado e abraçou-a forte contra seu peito. O tremor foi passando aos poucos, o choro secando e ela pode voltar ao quarto do guri para fazer-lhe mais uma injeção de anestésico.
Uma cortina de poeira manchou o céu dourado, mais um segundo e avistaria um pontinho que iria crescendo. “Vai, diz para a Maria levar o guri para dentro, ir lhe dando o caldo. Os outros já chegaram da escola? Diz que já estou descendo. Avisa para a Genésia ir pondo a mesa, Seu Ignácio está vindo.”
Agora os cavalos trotavam, o chicote no ar descia com firmeza, o chapéu de abas muito largas naquele corpo miúdo, não deixava duvidas, era Ignácio chegando. Secou o rosto com a camisola do filho, tirou o avental, desamassou o vestido e desceu para o quarto. Como sempre iria pentear o cabelo, colocar mais batom, um pouco de água de colônia e esperar na porta pelo marido.


Homem de la Mancha

Essa historia partiu da descoberta de que alguns sonhos sao impossiveis. Nao impossiveis de serem sonhados, parece que eles servem justamente para isso existem, mas impossiveis de serem vividos. Nascem predestinados a nao serem nada mais que sonhos. Nao se trata de uma proibicao e sim de um impedimento que nosso querer nos impoe. Adorariamos realiza-los mas nao queremos viver a realidade que ele seria, se deixasse de ser sonho. Desta constatacao fui em busca do filme: O homem de la Mancha onde Sophia Loren foi Dulcineia e Peter O'Toole foi Cervantes. O sonho defendido por D. Quixote e a confusao entre Cervantes e ele , o amor por Ducineia e Aldonza. O que ele sabia sobre amar as mulheres. Encontro entao Elvis Presley, Pavaroti: To dream the impossible dream que Chico traduziu para a Bethania cantar. Ai esta, para dar esperancas;

To dream the impossible dream
To fight the unbeatable foe

To bear with unbearable sorrow

To run where the brave dare not go

To right the unrightable wrong

To love pure and chaste from afar

To try when your arms are too weary

To reach the unreachable star

This is my quest

To follow that star

No matter how hopeless

No matter how far

To fight for the right

Without question or pause

To be willing to march into

HellFor a heavenly cause

And I know if I'll only be true

To this glorious quest

That my heart will lie peaceful and calm

When I'm laid to my restAnd the world will be better for this

That one man, scorned and covered with scars

Still strove with his last ounce of courage

To reach the unreachable star.

Sonhar
Mais um sonho impossível

Lutar quando é fácil ceder

Vencer o inimigo invencível

Negar quando a regra é vender

Sofrer a tortura implacável

Romper a incabível prisão

Voar num limite improvável

Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão

Virar esse mundo cravar esse chão

Não me importa saber se é terrível demais

Quantas guerras terei que vencer

Por um pouco de paz

E amanhã, se esse chão que eu beijei

For meu leito e perdão

Vou saber que valeu delirar

E morrer de paixãoE assim, seja lá como for

Vai ter fim a infinita aflição

E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossivel chao


12 de julho
Eu e o Rei
Eu acho que tinha 8 anos. Meu pai, minha irma e o Rei, no Ginasio do Colégio Municipal Pelotense. Eu tinha um cinto do calhambeque e uma calca boca de sino. Nao lembro que musica eu cantava, mas lembro que dancava. Depois, meu irmao pedia uma inspiracao para o cartao que acompanharia as flores da ex-namorada, exatamente no dia dos namorados. Meu pai tem uma inspiracao fantastica: "Das lembrancas que trago da vida voce é a saudades que gosto de ter". Mesmo que no outro dia eu tenha escutado no radio a mesma frase na musica do Roberto Carlos, ela continua sendo do meu pai. O plagio foi ignorado, ele era o genio que tinha dito aquilo que sempre queriamos dizer. Nao consigo nao ouvir Roberto Carlos, nao consigo nao chorar e nao ter vontade de fazer uma declaracao de amor que diga:" É preciso saber viver" ou " Detalhes tao pequenos de nos dois..." Claro que nao penso na qualidade musical, na midia que produz tudo isso, na breguice, etc... É preciso nao pensar. Trata-se de fidelidade, de amar além de tudo, melhor, apesar de tudo. O Eramos Carlos tem careca e cabelo branco, os musicos usam perucas e as musicas sao sempre as mesmas. Ao final: Jesus Cristo eu AINDA estou aqui. Puxa: AINDA???? Roberto para sempre!!! OU seria minha infancia, nao sei. saudades de meu pai, saudades de sei la quem mais. ".. se isso lhe trouxer saudades minhas a culpa é sua.."

Nem que me paguem quero ingresso


08 de julho
Nem que me paguem eu quero ingresso

08 de julho
Nem que me paguem eu quero ingresso
Uma amiga me disse "Nao adianta se eximir, tu também és culpada pelo Michael Jacson" Juro que nao, respondi. E fiquei, aqui, com a minha consciencia me perguntando, por que eu seria? Logo eu tao pelotense, logo eu tao "TFP", logo eu tao burguesa, no que eu seria culpada? Pobre coitado, nem homem nem mulher, nem gay era. Nao era adulto nem crianca, nem branco nem negro, nem ser humano nem Frankstein, um produto, isso que ele era. Mas um produto na cultura americana, nao um produto da cultura rural que represento. La na minha terra a imagem vale bem menos, ela e importante tambem, mas nao é tudo, a gente ainda presa o conteudo, a experiencia, a relacao. Elisabeth Rudinesco escreve em um artigo sobre o culto de si: Os Estados Unidos representam uma cultura do narcisismo ou culto de si que poe em primeiro plano uma visao da sociedade fundada na superestimacao da figura imaginaria de um sujeito desprovido de sentido histórico, atemporal, sem passado nem futuro; um sujeito limitado ao claustro de sua imagem no espelho. Um Narciso que vem substituir a figura de um Édipo soberano e ressentido. A cultura do Narcisismo é uma cultura na qual prevalesce o mito de uma humanidade sem interdito, sem diferencas, fascinada pelo poder ilimitado de seu eu. O Narciso nao pode aceitar a velhice, nem a transmissao genealógica, nem a identificacao com o sucesso do outro. Ele poe fim aos seus dias porque nao aceita perder o que os outros depois dele poderiam receber.
Rudinesco diz que se aceita com naturalidade a cultura do narcisismo que a cultura americana representa, uma nescessidade moderna de " auto-estima", se fala de disturbio de carater, de adicao, de toxicomanias e menos de amor, ciumes, inveja, traicao, sexualidade, isto é, as psicopatologias estao voltadas para aqueles centrados no eu e nao naqueles entre o eu e a relacao com o outro que deixa de existir nesses casos.
Em fim, comparar Michael Jacson com Elvis Presley é comparar um ladrao de galinhas com um estuprador, os dois eram loucos, mas Michael era profissional no assunto. Além disso, ele é um produto sim, mas que Deus nos ajude de uma cultura do narcisismo que nós, pobres terceiros mundistas, ainda nem amarramos as chuteiras. "Que Deus o tenha"
Rudinesco diz que se aceita com naturalidade a cultura do narcisismo que a cultura americana representa, uma nescessidade moderna de " auto-estima", se fala de disturbio de carater, de adicao, de toxicomanias e menos de amor, ciumes, inveja, traicao, sexualidade, isto é, as psicopatologias estao voltadas para aqueles centrados no eu e nao naqueles entre o eu e a relacao com o outro que deixa de existir nesses casos.
Em fim, comparar Michael Jacson com Elvis Presley é comparar um ladrao de galinhas com um estuprador, os dois eram loucos, mas Michael era profissional no assunto. Além disso, ele é um produto sim, mas que Deus nos ajude de uma cultura do narcisismo que nós, pobres terceiros mundistas, ainda nem amarramos as chuteiras. "Que Deus o tenha"

Um conto



19 de junho

Vila do Sossego
Maria Cristina Sole

Ela morava em um lugar que se chamava Vila do Sossego. Desde guria achava aquele nome lindo. Adorava quando nas lojas ou nos empregos lhe perguntavam o endereço e ela precisava dizer: Av. Ipiranga número 2110. casa c4, e então, respirava fundo, levantava o volume da voz e dizia: Vila do Sossego.
Certamente isso trazia um ar de dignidade aquele endereço tão sem importância, tão desconhecido.
Morar em um lugar que se chama Sossego daria uma boa impressão, todos ali seriam serenos, pensava, mesmo que ela soubesse que isso era apenas mais uma de suas ilusões.
Na infância era gorda, a cintura redonda e a barriga cheia das pipocas roubadas da avó, antes de serem colocadas nos despachos. Cresceu e descobriu que era gostosa, a cintura marcou, a bunda arrebitou e os peitos saltariam para fora do sutiã se fosse preciso.
Mais como vingança do que por prazer, adorava atravessar o pátio da Vila do sossego quando todos os rapazes à tardinha, após o trabalho, bebiam o por do sol encostados em seus carros baratos e sujos. Os mesmos guris que a chamavam no passado de “gorda baleia, saco de areia”. Nessa hora, puxava a fuso na cintura ate ela marcar mais a calcinha, arrebitava a bunda, chupava a barriga fazendo os peitos levantarem e imaginava um tamborim, um surdo e um agogô marcando compasso para seu caminhar. De canto de olho podia ver os grupinhos se calando e as cabeças acompanhando sua passagem até ela sumir na casa número 4, de onde nunca saiu. Ela apenas sorria orgulhosa. Nenhuma de suas amigas de infância, as bonitinhas magrelinhas, as espertas e as loirinhas, nenhuma delas hoje em dia tinha esse olhar. Agora elas estavam gordas, cheias de filhos e lutando para suprir as faltas dos maridos bêbados.
No entanto, seu prazer acabava logo ali, no portal que atravessava. Começava a janta da mãe, os cuidados com os sobrinhos que a irma depositava um a um na casa paterna, abusando da piedade da família e fazendo um novo filho em uma maloca da vida.
As vezes, pedia aos gritos para ver se os santos escutavam, pelo sossego que o nome proclamava, e nada, ele não vinha.
O emprego de bilheteira no teatro mais antigo da cidade a fazia sonhar ser alguém diferente. O lugar de destaque na escola e na comunidade eram os culpados, segundo sua mãe, de nunca ter encontrado um homem para casar. A mãe dizia que ela se achava melhor, mais importante que os outros da Vila do Sossego e por isso acabou solteirona e iria morrer assim, orgulhosa e sozinha. Ela não queria casar com um homem gordo, fedendo a cachaça.
Todos os dias ela vendia bilhetes a homens perfumados, de ternos bonitos, aqueles que seguravam suas mulheres levemente pela cintura, as deixando passar na sua frente ao entrar no teatro. Sonhava com um homem desses.
Claro que nunca contou para a mãe as suas experiências amorosas que eram mais para passar o tempo e aplacar a ânsia do que para uma paixão da vida toda. Preferia dizer que fez amor com o porteiro do teatro, com o rapaz da faxina, com um montador e com mais outros maquinistas, do que dizer que se deitou com eles, embora de amor não tenha tido nada naqueles encontros todos, mas ficava mais digno e educado.
Uma vez leu em uma revista de moda as palavras de uma atriz famosa que passou a repetir sempre que lhe perguntavam sobre casamento ou marido: “Enquanto o homem certo não aparece me divirto com os errados”.
Distraída lendo uma dessas revistas que levava para passar o tempo não viu quando ele se aproximou do guichê. Levantou a cabeça para ver de onde exalava aquele perfume. Terno escuro, dentes brancos adornados por um bigode bem aparado, camisa engomadinha e o cabelo bem brilhoso para trás, mas o que lhe encantou foi o “por favor, senhorita” que ele acrescentou ao final do pedido de dois bilhetes. Provavelmente para ele e para a esposa pensou. Aquilo que sentiu sem duvida era inveja.
Tentou rapidamente esboçar um sorriso, ele não saiu, pareceu amarelo, sem graça. Entregou os bilhetes e o acompanhou com os olhos brilhando ate que saísse pela porta da bilheteria. No balcão ficou a carteira de identidade, a foto e o nome.
Poderia devolver no espetáculo. O porteiro vivia lhe oferecendo ingresso grátis, coisa que ela nunca aceitou, pois, sabia o preço que teria de pagar. Desta vez aceitaria, mas diria que a mãe iria esperá-la na parada de ônibus. A roupa não seria problema, a camareira tinha estoques de figurinos dos muitos espetáculos encenados lá.
Quem sabe um dos vestidos que Vera Fischer usou ou uma das blusas da Fernanda Montenegro. Na hora, o vestido apertou na cintura e a camareira falou que era cafona, década de 50, não se usa mais, colocou uma blusa florida por cima do Jeans que usava. Chique, disse a amiga, ninguém notaria que é bilheteira. Tinha certeza dos bilhetes vendidos: camarote 17, lateral-central, lugares A e B.
O Antonio Fagundes, lindíssimo, falava sem parar coisas sobre amor, um discurso amoroso. Teve vontade chorar. Cada vez que a platéia clareava, olhava para o camarote tentando ver se era ele que estava lá. Um casal ocupava as cadeiras. A mulher meio gorda vestia uma gola de pele, o homem calvo, bem calvo, não era ele. E, agora, como devolveria a carteira? Ela deveria ter ficado na porta do teatro até que o gerente não deixasse mais ninguém entrar, só assim poderia ter certeza que ele não estava no local. Pensou que nunca mais o veria.
Ao final, entristecida dirigiu-se a parada de ônibus e retornou a Vila do Sossego.
Era sábado, o churrasco de latão ainda estava sendo assado pelo pai, que já devia estar bebendo desde cedo. Passou pelo pátio sem ter olhares acompanhando seu andar e matou na cama as esperanças da semana. O domingo passou lento como todos os outros, sobrinhos, Faustão na televisão toda tarde, uma briga de bêbados no boteco da esquina, e a segunda-feira para lembrar o quanto ela estava atolada na vida.
Arrastada enfrentou o novo dia, sem sol, sem chuva, sem nenhuma promessa. Nem a internet foi a salvação, o nome dele não aparecia. Os dias foram passando e ela decidiu colocar a carteira com a foto no vidro da bilheteria, quem sabe ele voltava, mas até lá poderia ficar olhando.
Todo dia pela manha, ao começar o trabalho desejava “bom dia” ao seu deus bigodudo e moreno. Jorge, como aquele que matou o dragão. Salve, Jorge, dizia ao vê-lo na foto. Às vezes, trazia uma flor e colocava no vasinho diminuto que ganhara da amiga secreta no Natal. Outro dia, a mãe ficou doente, acrescentou uma medalhinha de São Jorge ao altarzinho e mais adiante uma pequena vela daquelas fininhas de aniversário, vermelha da cor do santo. Assim acostumou-se a sonhar com ele quando deitava sozinha e a pensar nele quando rapidamente deitava com um de seus “prestadores de serviços” e assim a vida ficava mais leve, e a tarefa mais fácil.
Perdeu a conta quanto tempo havia passado desde que tinha feito daquela foto sua parceira e daquele homem que tinha visto apenas uma vez, seu companheiro.
A mãe se queixava que um dia morreria e que solteira iria acabar sendo empregada do pai ou dos irmãos, tanto quanto ela própria já era. Irritada pensava que Jorge viria e com sua lança afastaria a tristeza em que vivia.
No inverno, de frio, de tristeza ou de preguiça, ficou uma semana acamada por um resfriado, quando retornou ao trabalho Jorge não estava mais lá, lhe contaram que alguém veio comprar um ingresso, reconheceu a carteira e quando viu o cuidado com que estava guardada deixou 10 reais em agradecimento.

GremioX feminino



18 de junho
Gremio X mundo feminino
Isso é um manifesto de repudio. Claro que nao posso odiar o gremio: Litinho me mataria, mas posso odiar essa Arena moderna que sao os estadios. Fico pensando quem sao os leos , só sei que a crista sou eu. Coitada, solta aos leos. Porque os homens largam qualquer coisa para ir ao jogo? Verdade, meu marido nao, mas larga qualquer coisa por um amontoado de homens em uma cavalgada. Da no mesmo. Isso é muito Gay. Ficar entre homens é melhor que estar com mulheres.Claro os bobos dirao: tem mulheres nos estadios/ arenas. As que sao mulheres vao para ver os homens, pare serem iguais a eles. Os bobos nao vem isso, pensam q elas sao modernas que agoram competem e vibram como romanos com os leos devorando os cristaos, que nada, elas vibram com os olhares, com os gritos de "gostosa" que na rua nao tem mais. Por hoje: Vamos interditar os estadios!!! assim as mulheres poderam ser mais olhadas e nao vao precisar colocar aquelas camisetas ridiculas

segunda-feira, 29 de março de 2010

Medéia



30 de junho
Medéia
Assisti Medéia no Teatro São Pedro. Surprendente. Estou ficando pretenciosa. Esses anos todos de teatro começo a achar que sei alguma coisa.
Estava lindo e tocante. Apenas um ponto: Sai sem saber quem era o mocinho: Jajão ou Medéia? A raiva daquela mulher ferida, o ódio, que ela sentia estava bem caracterizado. A atriz expressava isso no seu rosto, na sua postura. Mas o sofrimento? Quem pensou no sofirmento que sentiu essa mulher ao perde seu amor. Aliás os seus dois amores. Primeiro traiu o pai para ficar com Jajão, depois perde esse. O sofrimento da perda transformado em ódio, quem pensou nele? tenho pensado sobre isso, o sofrimento das mulheres. É preciso pensar no femino a partir do ponto de vista feminino. Até agora se vê a mulher a partir do olhar masculino, será possivel? Nem mesmo Chico Buarque é capaz. Para Freud era um buraco negro, ou coisa semelhante.

Lula e Marisa no baile



16 de setembro/2007

Lula e Marisa no baile
É interessante ver a foto do Lula e da Marisa nos salões reais. Fico aqui me perguntando sobre se haveria um toque de ironia nas manchetes. Seria um elefante em uma criastaleira? Sabem eles desfilar em tanto protocolo? Ela está bonita, fina, magra. Foram inteligentes o suficiente para aprender. Poucas pessoas o são. Muitos tem ascensão financeira, mas poucos cultural. Desprezam a educação refinada porque não conseguem comprá-la. Esta não é vendida e shopping centers. Não adianta as boutiques caras. Refinamento ou a gente nasce entre ele ou precisa ser inteligente para aprender. Parbéns presidente, fazendo bonito no baile.

Les Ephémerés

Les Ephémerès

Depois desses anos todos já posso dizer que assisti muita coisa. Algumas me marcaram, deixaram uma boa memória, de outras nem lembro que alguma vez assisti. Peças teatrais com artistas globais, peças teatrais com artistas locais, concertos em salas sinfônicas premiadas pelo mundo a fora. Lembro é claro do "Império do Condor" no foie em obras do Teatro São Pedro, e não quero ser injusta dizendo que foi a pior coisa que vi, ano passado vi uma peça pior e muito mais pretenciosa. Lembro de Miss Saigon e do helicóptero descendo em cena, nunca mais esquecerei e também de Les Ephèmères. É emcionante do inico ao fim, das lágrimas ao riso, eles passam por todas as problemáticas da vida sem serem banais, sem serem melodramáticos. Abordam da infância e seus problemas, a velhice e suas fragilidades, sem precisarem se utilizar de outros artificios além de uma interpretação impecável e de um texto que trata do cotidiano universal. O ser humano ainda está na moda, ele e seu problemas comuns

Piaf e a Melancolia



4 de outubro/2007
Piaf e a Melancolia
Passei o fim de semana estudando a melancolia e para completar fui assistir o filme da vida da Piaf. Duas falhas graves: Não levei lencinho nem lápis de olhos para retocar. Temos em Piaf um modelo exemplar de melancolia, alguém que muito cedo perde o objeto, vive as perdas sem possiblidade de luto, sofre toda sorte de abandono psiquico e como saída para o sofrimento opta pela criação ao invés da morte. No filme ela diz: "Eu preciso cantar senão morro", assm como Sade precisava escrever. Na Zero Hora de hoje está escrito que Piaf morreu de tanto viver, eu acrescentaria que ela sofreu de mal de amor, amou demais e o que recebeu não era suficiente para aplacar sua carência. A cena da morte do boxeador Marcel é inesquecível e eu consigo me imaginar nela diante da perda de um dos meus três amores

domingo, 28 de março de 2010

Viva!!!


Consegui!!!! Que legal é Itapua!