Ir ao cinema sempre me inspira. Assisti um filme sobre a vida de adolescentes paulistas. Ha quem diga que a adolescencia é um periodo feliz, a minha nao foi, a de quem sera q foi? talvez a de quem tenha uma vida adulta muito pior.
Muitas coisas para resolver, muitas tristezas e angustias.
Dois meninos, o mais velho escreve em um blog coisas lindas e diz que se sente como uma bomba, prestes a explodir. Alias o ator é uma gracinha, filho do Fábio Jr., lembra bastante ele.
Eu talvez seja das poucas pessoas que chora em filme de adolescentes, mas impossivel nao pensar no tempo, nas expectativas de viver uma historia feliz e na solidao. O filme lida com preconceitos, todos os tipos. Sera que a gente e capaz de se livrar de todos? Penso que nao.
domingo, 25 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
UM CONTO

Madressilva
Ele disse que meu perfume era forte, tu acreditas nisso?
Verdade! Ele disse que meu perfume era forte.
Eu não consegui acreditar. Estava vestindo a camisa, já apressado, querendo ir embora, já arrependido, começando a cair na real, já culpado.
Tentei abraçá-lo mais um pouco, ai ele perguntou se eu queria deixar meu perfume na sua camisa, o perfume forte que eu usava.
Assim: Esse perfume forte que vocês usam. É, com essa cara de desdém.
Logo eu que passei anos tentando encontrar um perfume que fosse o meu cheiro, algo como uma marca, entendes?
Assim como a Marilyn, ela só usava Chanel número 5. Toda vez que a gente sente o cheiro desse perfume lembra dela. Quem não sabe disso?
Eu não queria aqueles cheiros da modinha, aqueles que as gurias borrifam na gente em loja de importados e depois sente em toda festa de bacana que se vai. Lembra do Patiolli? Todo mundo usava, menos eu, usava o Sândalos.
Eu queria um daqueles perfumes que se sente quando a pessoa balança o cabelo, ou quando ela entra no elevador e para ao nosso lado, vem aquele cheirinho de banho recém tomado, de limpeza.
Não, nada de perfume doce, odeio perfume doce. Gosto daquele cheirinho de flores Como na primavera quando se passa por uma Madressilva e o vento trás seu perfume, um cheirinho que vem do ar, sabes como é?
E daí? Claro que eu queria cheirar como uma Madressilva. Como é? Ele poderia então trepar em uma Madressilva? Não brinca comigo. Na verdade estou furiosa, aquele viado falou que meu perfume era forte. Eu não me incomodaria tanto se ele tivesse falado das minhas celulites. Essas eu não escolhi. Não passei anos procurando, trocando e gastando, até encontrar esse cheiro perfeito que falasse de mim, de quem eu sou, de como eu sou. Foi como se ele tivesse dito que tudo aquilo que eu estava lhe oferecendo não valia nada, não tivesse a menor importância.
Não, eu não vou perdoar jamais.
Mentir-me que era solteiro, ter esquecido meu aniversário, me deixar toda enfeitada na mesa do restaurante, tudo bem, já perdoei. Mas, falar que meu perfume é forte? Isso eu não perdôo jamais.
Ele disse que meu perfume era forte, tu acreditas nisso?
Verdade! Ele disse que meu perfume era forte.
Eu não consegui acreditar. Estava vestindo a camisa, já apressado, querendo ir embora, já arrependido, começando a cair na real, já culpado.
Tentei abraçá-lo mais um pouco, ai ele perguntou se eu queria deixar meu perfume na sua camisa, o perfume forte que eu usava.
Assim: Esse perfume forte que vocês usam. É, com essa cara de desdém.
Logo eu que passei anos tentando encontrar um perfume que fosse o meu cheiro, algo como uma marca, entendes?
Assim como a Marilyn, ela só usava Chanel número 5. Toda vez que a gente sente o cheiro desse perfume lembra dela. Quem não sabe disso?
Eu não queria aqueles cheiros da modinha, aqueles que as gurias borrifam na gente em loja de importados e depois sente em toda festa de bacana que se vai. Lembra do Patiolli? Todo mundo usava, menos eu, usava o Sândalos.
Eu queria um daqueles perfumes que se sente quando a pessoa balança o cabelo, ou quando ela entra no elevador e para ao nosso lado, vem aquele cheirinho de banho recém tomado, de limpeza.
Não, nada de perfume doce, odeio perfume doce. Gosto daquele cheirinho de flores Como na primavera quando se passa por uma Madressilva e o vento trás seu perfume, um cheirinho que vem do ar, sabes como é?
E daí? Claro que eu queria cheirar como uma Madressilva. Como é? Ele poderia então trepar em uma Madressilva? Não brinca comigo. Na verdade estou furiosa, aquele viado falou que meu perfume era forte. Eu não me incomodaria tanto se ele tivesse falado das minhas celulites. Essas eu não escolhi. Não passei anos procurando, trocando e gastando, até encontrar esse cheiro perfeito que falasse de mim, de quem eu sou, de como eu sou. Foi como se ele tivesse dito que tudo aquilo que eu estava lhe oferecendo não valia nada, não tivesse a menor importância.
Não, eu não vou perdoar jamais.
Mentir-me que era solteiro, ter esquecido meu aniversário, me deixar toda enfeitada na mesa do restaurante, tudo bem, já perdoei. Mas, falar que meu perfume é forte? Isso eu não perdôo jamais.
El secreto de tu ojos ( de gata?)
El secreto de tu ojos (de gata?)
Alguma coisa de verdade deve estar acontecendo. Já penso que deve haver uma intenção prévia nisso tudo.
Primeiro declarei meu amor incondicional pela musica espanhola através das melodias de Joaquin Sabina. Antes disso conheci Rosa Monteiro e li todos seus livros, desde a Louca da casa, ate: Te trataria como a una reina. Agora para completar "El secreto de tus ojos"
Modo interessante os argentinos encontraram de falar da vida e do tempo. Daquilo que deixamos de fazer e de sentir porque nao é adequado naquele momento. Os sonhos que abandonamos. Os que deixamos suspendidos na expectativa de que poderemos vive-los mais tarde. Ele escreve, ou tenta escrever, assim como eu. Tenta resolver parte das suas angustias escrevendo, contando uma historia que bem poderia ser a sua. Parece que viver, falar, nao é suficiente para esgotar os sentimentos. Para resolver o que pulsa na garganta e precisa sair, se escreve. Mesmo assim faltam as palavras, as palavras que nao foram ditas.
Esposito nao declarava seu amor, nao era conveniente, nao era necessário. Saia dos encontros com a esperança de que o tempo apagaria a lembrança e pergunta para Morales: "Como fizeste para esquecer? O que se faz para esquecer?" Boa pergunta em uma época de gente tao ocupada, sem tempo para lembrar. Ele diz que os olhos falam, mas as vezes nao basta saber ouvi-los, é preciso que os atos também confirmem o que os olhos falam. E escreve no inicio do seu romance: "...ia ficando cada vez menos nos seus olhos e cada vez maior no seu coração". (Si quedava mas pequeno en sus ojos e mas grande en su coracion) Talvez seja esse o problema, aquilo que desaparece de nossos olhos corre o risco de crescer em nosso coração. Sabina diria: "...nos dijimos adiós, ojalá que volvamos a vernos. El verano acabó, el otono duró lo que tarda en llegar el invierno..."
Alguma coisa de verdade deve estar acontecendo. Já penso que deve haver uma intenção prévia nisso tudo.
Primeiro declarei meu amor incondicional pela musica espanhola através das melodias de Joaquin Sabina. Antes disso conheci Rosa Monteiro e li todos seus livros, desde a Louca da casa, ate: Te trataria como a una reina. Agora para completar "El secreto de tus ojos"
Modo interessante os argentinos encontraram de falar da vida e do tempo. Daquilo que deixamos de fazer e de sentir porque nao é adequado naquele momento. Os sonhos que abandonamos. Os que deixamos suspendidos na expectativa de que poderemos vive-los mais tarde. Ele escreve, ou tenta escrever, assim como eu. Tenta resolver parte das suas angustias escrevendo, contando uma historia que bem poderia ser a sua. Parece que viver, falar, nao é suficiente para esgotar os sentimentos. Para resolver o que pulsa na garganta e precisa sair, se escreve. Mesmo assim faltam as palavras, as palavras que nao foram ditas.
Esposito nao declarava seu amor, nao era conveniente, nao era necessário. Saia dos encontros com a esperança de que o tempo apagaria a lembrança e pergunta para Morales: "Como fizeste para esquecer? O que se faz para esquecer?" Boa pergunta em uma época de gente tao ocupada, sem tempo para lembrar. Ele diz que os olhos falam, mas as vezes nao basta saber ouvi-los, é preciso que os atos também confirmem o que os olhos falam. E escreve no inicio do seu romance: "...ia ficando cada vez menos nos seus olhos e cada vez maior no seu coração". (Si quedava mas pequeno en sus ojos e mas grande en su coracion) Talvez seja esse o problema, aquilo que desaparece de nossos olhos corre o risco de crescer em nosso coração. Sabina diria: "...nos dijimos adiós, ojalá que volvamos a vernos. El verano acabó, el otono duró lo que tarda en llegar el invierno..."
Estou apaixonada
Bem sei que a paixão pode ser uma doença.
Quem sabe mais tarde eu queira escrever sobre isso, agora estou mais preocupada em vivê-la.
Poderia dizer que “no hago otra cosa que pensar em ti”.
Na verdade as suas letras não me saem da cabeça, a sua melodia embala meus dias
Estou apaixonada e quanto mais penso, mais suspiro por um espanhol.
De repente, sem nenhuma explicação, me apaixonei por esse idioma cantado, escrito e falado.
Estou completamente seduzida por um espanhol magrinho, cabeludo, com um cavanhaque cigano que fuma e bebe exageradamente.
Um espanhol contestador, antifranquista dos anos 60, amigo de Fidel Castro, Almodóvar, Fito Paez, Mercedes Sosa, Garcia Marques, e que poderia ser do Lula também.
Um poeta urbano que canta seu amor as mulheres, a pátria, a liberdade e a America latina.
Eu tenho passado horas ouvindo-o dizer coisas lindas que mesmo vivendo mil anos minhas palavras não seriam capazes de dizer.
Ao som de seus poemas eu sonho, viajo e caminho e danço.
Ele também esta apaixonado por mim, eu sei.
Cantou seu amor me dizendo coisas lindas ao ouvido.
“A ti que hás preferido vivir como se nada fuera eterno, a ti que hás compartido conmigo una almohada em el infierno..”
“ No le ofreció la luna, Le dijo solo quedate conmigo, no hay fortuna que valga el corazon que te daré”.
Diante dele eu já desfilei minhas melhores qualidades, meus mais nobres atributos, minhas mais lindas armas de sedução.
E, lhe disse em um espanhol atravessado:
“nin tan arrependido ni encantado de haberme conocido, lo confieso.
Tu que tanto hás besado..”
Tentando acompanhar seu bailado cantei ao seu lado:
“Tus pies bailan um tango com mi pasado,
Tus cejas son las rejas de uma prision,
Tus lábios son el fuego por duplicado,
Tu olvido es um descuido de mi pasion”
E, em uma voz rouca, ele continuou a jurar seu amor por mim
“Y me envenenan los besos que voy dando
Y sin embargo, cuando
Duermo sin ti contigo sueno”
“solo calan os besos que no has dado, los labios del pecado...”
Respondi, então:
“ no quiero um amor civilizado,
con recibos y escena de sofá,
yo no quiero que viajes al pasado
y vuelvas del mercado com ganas de llorar...”
Mais apaixonada, insisti:
“ Y morirme contigo si te matas
y matarme contigo si te mueres,
porque el amore cuando no muere mata,
porque amores que matan nunca mueren..”
Ele seguiu em um lamento flamenco que não sai da sua garganta mas, de meus ouvido:
“ Anda, deja que te dasabroche un boton,
que se come com piel la manzana prohibida,
y tal vez no tengamos mas noches,
y talvez no seas tu la mujer de mi vida.
Hoy tienes una ocasion de demonstrar que eres uma mujer
ademas que una dama”
Assim, o Estádio Centenário estava lotado cantando as musicas que ele compôs.
As luzes do palco batendo na chuva rala, e um show que há muito eu não assistia no Brasil.
Mas, aqui entre os brasileiros ele não é nem conhecido. Eu esperava que na fronteira, pela mistura da língua, eles soubessem de quem eu falava, nem lá.
Quando eu disse que iria a Montevidéu assistir ao seu show alguns me perguntaram quem era. Os mais pretensiosos me olhavam com aquele olhar vazio de quem não sabe, mas prefere supor que eu iria assistir um Julio Igleses qualquer.
Estamos todos submetidos a estética americana, Michel Jacsons empalhados e Beyoncés siliconadas. Só podemos ver e ouvir aquilo que eles nos vendem.
Ainda estamos separados pelo tratado de Tordesilhas.
Os gaúchos sofrem mais as conseqüências dessa divisão. A cultura é quase a mesma, mas a diferença da língua acaba nos colocando atrás de um muro. Um muro que nos faz pensar que somos muito diferentes deles.
Mais que gaúchos, mais que palas, vino e caballos, pensamos ser tamborins, sol e musica axé.
Será que não somos capazes de enxergar através desse muro? Ou ele é tão alto que tapa toda nossa visão?
Muito se falou do muro de Berlim que dividia a mesma Alemanha em duas coisas distintas. No entanto, nunca falamos do muro lingüístico que separa aquilo que seria muito igual em duas partes diferentes. Mantém uma distancia intransponível.
Não existe nada que cause mais angustia do que algo intransponível. Quando a gente tenta se aproximar daquilo que insiste em se manter longe do nosso alcance.
Mesmo assim, eu e Sabina, desde Montevidéu, desejamos:
“...Que no te compren por menos de nada
Que no te vendan amor sin espinas
Que no te duerman com cuentos de hadas
Que no te cierren el bar de la esquina.
Que el corazon no se pase de moda
Que los otonos te doren la piel,
Que cada noche sea noche de bodas,
Que no se ponga la luna de miel.”
Quem sabe mais tarde eu queira escrever sobre isso, agora estou mais preocupada em vivê-la.
Poderia dizer que “no hago otra cosa que pensar em ti”.
Na verdade as suas letras não me saem da cabeça, a sua melodia embala meus dias
Estou apaixonada e quanto mais penso, mais suspiro por um espanhol.
De repente, sem nenhuma explicação, me apaixonei por esse idioma cantado, escrito e falado.
Estou completamente seduzida por um espanhol magrinho, cabeludo, com um cavanhaque cigano que fuma e bebe exageradamente.
Um espanhol contestador, antifranquista dos anos 60, amigo de Fidel Castro, Almodóvar, Fito Paez, Mercedes Sosa, Garcia Marques, e que poderia ser do Lula também.
Um poeta urbano que canta seu amor as mulheres, a pátria, a liberdade e a America latina.
Eu tenho passado horas ouvindo-o dizer coisas lindas que mesmo vivendo mil anos minhas palavras não seriam capazes de dizer.
Ao som de seus poemas eu sonho, viajo e caminho e danço.
Ele também esta apaixonado por mim, eu sei.
Cantou seu amor me dizendo coisas lindas ao ouvido.
“A ti que hás preferido vivir como se nada fuera eterno, a ti que hás compartido conmigo una almohada em el infierno..”
“ No le ofreció la luna, Le dijo solo quedate conmigo, no hay fortuna que valga el corazon que te daré”.
Diante dele eu já desfilei minhas melhores qualidades, meus mais nobres atributos, minhas mais lindas armas de sedução.
E, lhe disse em um espanhol atravessado:
“nin tan arrependido ni encantado de haberme conocido, lo confieso.
Tu que tanto hás besado..”
Tentando acompanhar seu bailado cantei ao seu lado:
“Tus pies bailan um tango com mi pasado,
Tus cejas son las rejas de uma prision,
Tus lábios son el fuego por duplicado,
Tu olvido es um descuido de mi pasion”
E, em uma voz rouca, ele continuou a jurar seu amor por mim
“Y me envenenan los besos que voy dando
Y sin embargo, cuando
Duermo sin ti contigo sueno”
“solo calan os besos que no has dado, los labios del pecado...”
Respondi, então:
“ no quiero um amor civilizado,
con recibos y escena de sofá,
yo no quiero que viajes al pasado
y vuelvas del mercado com ganas de llorar...”
Mais apaixonada, insisti:
“ Y morirme contigo si te matas
y matarme contigo si te mueres,
porque el amore cuando no muere mata,
porque amores que matan nunca mueren..”
Ele seguiu em um lamento flamenco que não sai da sua garganta mas, de meus ouvido:
“ Anda, deja que te dasabroche un boton,
que se come com piel la manzana prohibida,
y tal vez no tengamos mas noches,
y talvez no seas tu la mujer de mi vida.
Hoy tienes una ocasion de demonstrar que eres uma mujer
ademas que una dama”
Assim, o Estádio Centenário estava lotado cantando as musicas que ele compôs.
As luzes do palco batendo na chuva rala, e um show que há muito eu não assistia no Brasil.
Mas, aqui entre os brasileiros ele não é nem conhecido. Eu esperava que na fronteira, pela mistura da língua, eles soubessem de quem eu falava, nem lá.
Quando eu disse que iria a Montevidéu assistir ao seu show alguns me perguntaram quem era. Os mais pretensiosos me olhavam com aquele olhar vazio de quem não sabe, mas prefere supor que eu iria assistir um Julio Igleses qualquer.
Estamos todos submetidos a estética americana, Michel Jacsons empalhados e Beyoncés siliconadas. Só podemos ver e ouvir aquilo que eles nos vendem.
Ainda estamos separados pelo tratado de Tordesilhas.
Os gaúchos sofrem mais as conseqüências dessa divisão. A cultura é quase a mesma, mas a diferença da língua acaba nos colocando atrás de um muro. Um muro que nos faz pensar que somos muito diferentes deles.
Mais que gaúchos, mais que palas, vino e caballos, pensamos ser tamborins, sol e musica axé.
Será que não somos capazes de enxergar através desse muro? Ou ele é tão alto que tapa toda nossa visão?
Muito se falou do muro de Berlim que dividia a mesma Alemanha em duas coisas distintas. No entanto, nunca falamos do muro lingüístico que separa aquilo que seria muito igual em duas partes diferentes. Mantém uma distancia intransponível.
Não existe nada que cause mais angustia do que algo intransponível. Quando a gente tenta se aproximar daquilo que insiste em se manter longe do nosso alcance.
Mesmo assim, eu e Sabina, desde Montevidéu, desejamos:
“...Que no te compren por menos de nada
Que no te vendan amor sin espinas
Que no te duerman com cuentos de hadas
Que no te cierren el bar de la esquina.
Que el corazon no se pase de moda
Que los otonos te doren la piel,
Que cada noche sea noche de bodas,
Que no se ponga la luna de miel.”
Glenn Close
10 de janeiro
Mesmo não tendo a intenção de me desculpar preciso admitir que tenho um trabalho estranho.
Nossas teorias estão sempre sendo questionadas, nossas posições colocadas a prova e a verdade do outro nos fazendo rever aquilo que tínhamos como certeza. Assim, ao final de tudo já não sabemos mais o que deve ser considerado e o que não passa de moral hipócrita e barata construída através das idéias masculinas e dessa cultura.
Não estou tentando desculpar minha falta de critério, mas estava pensando sobre a posição da personagem Glenn Close no filme “Atração fatal”. Claro que a moral protestante americana colocou uma loira louca punindo o desejo adultero do marido medíocre e medio, desejo que ele não tinha coragem de revelar.
Naquela situação não teria como desculpar a insistência daquela mulher que não conseguia aceitar que a proposta do homem era uma noite e nada mais. Tentar reverter o não, podemos pensar, era, naquele caso, uma demonstração de insanidade.
No entanto, quantas vezes esta vetada a mulher demonstrar seu desejo?
Quantas vezes as mulheres precisam ficar esperando que a neurose obsessiva dos homens nãos os impeçam de estabelecer uma relação interessante?
Pode parecer que estou defendendo o adultério, o que não é verdade, estou novamente pensando sobre uma questão que já escrevi em outros momentos.
Em outro momento escrevi sobre a influencia do cinema no imaginário que constitui a mulher, escrevendo sobre um filme inglês sobre o desejo na velhice.
Em um curso sobre as mulheres de Atenas fiquei me perguntando, para irritação dos colegas e professores, o quanto aquelas lendas escritas por homens para fomentar as fantasias deles sobre aquilo que eles pensavam serem as mulheres, acabou por ser uma sobreterminacao simbólica para a construção do feminino ocidental. Fiquei sem resposta. A pergunta sobre “o que é ser uma mulher” foi ao longo dos séculos sendo respondida pelos homens através de uma produção cultural que ironicamente excluía a mulher e o que é mais irônico, foi dizendo a ela o que é ser mulher e elas se identificando com isso.
Portanto: não seja bela, nem sedutora como Helena de Tróia, jamais traia, seja como Penélope, não seja uma Medeia com seu marido e filhos, espere por seu homem, pacientemente. Não seja insatisfeita como Madame Bovary isso lhe fará morrer como ela. Assim, também outros mitos mais modernos que a partir de uma sobrederminacao nos colocam fixamente em um imaginário do qual fica difícil de sair.
Dessa forma, as teorias construídas pelos homens sobre o que eles acreditam ser o feminino associa passividade ao masoquismo. Talvez para que possam bater nas mulheres sem culpa. Mas, na verdade porque para eles passividade é isso. Ainda falta um tanto, para que se possa dizer, afinal o que é ser mulher.
Mesmo não tendo a intenção de me desculpar preciso admitir que tenho um trabalho estranho.
Nossas teorias estão sempre sendo questionadas, nossas posições colocadas a prova e a verdade do outro nos fazendo rever aquilo que tínhamos como certeza. Assim, ao final de tudo já não sabemos mais o que deve ser considerado e o que não passa de moral hipócrita e barata construída através das idéias masculinas e dessa cultura.
Não estou tentando desculpar minha falta de critério, mas estava pensando sobre a posição da personagem Glenn Close no filme “Atração fatal”. Claro que a moral protestante americana colocou uma loira louca punindo o desejo adultero do marido medíocre e medio, desejo que ele não tinha coragem de revelar.
Naquela situação não teria como desculpar a insistência daquela mulher que não conseguia aceitar que a proposta do homem era uma noite e nada mais. Tentar reverter o não, podemos pensar, era, naquele caso, uma demonstração de insanidade.
No entanto, quantas vezes esta vetada a mulher demonstrar seu desejo?
Quantas vezes as mulheres precisam ficar esperando que a neurose obsessiva dos homens nãos os impeçam de estabelecer uma relação interessante?
Pode parecer que estou defendendo o adultério, o que não é verdade, estou novamente pensando sobre uma questão que já escrevi em outros momentos.
Em outro momento escrevi sobre a influencia do cinema no imaginário que constitui a mulher, escrevendo sobre um filme inglês sobre o desejo na velhice.
Em um curso sobre as mulheres de Atenas fiquei me perguntando, para irritação dos colegas e professores, o quanto aquelas lendas escritas por homens para fomentar as fantasias deles sobre aquilo que eles pensavam serem as mulheres, acabou por ser uma sobreterminacao simbólica para a construção do feminino ocidental. Fiquei sem resposta. A pergunta sobre “o que é ser uma mulher” foi ao longo dos séculos sendo respondida pelos homens através de uma produção cultural que ironicamente excluía a mulher e o que é mais irônico, foi dizendo a ela o que é ser mulher e elas se identificando com isso.
Portanto: não seja bela, nem sedutora como Helena de Tróia, jamais traia, seja como Penélope, não seja uma Medeia com seu marido e filhos, espere por seu homem, pacientemente. Não seja insatisfeita como Madame Bovary isso lhe fará morrer como ela. Assim, também outros mitos mais modernos que a partir de uma sobrederminacao nos colocam fixamente em um imaginário do qual fica difícil de sair.
Dessa forma, as teorias construídas pelos homens sobre o que eles acreditam ser o feminino associa passividade ao masoquismo. Talvez para que possam bater nas mulheres sem culpa. Mas, na verdade porque para eles passividade é isso. Ainda falta um tanto, para que se possa dizer, afinal o que é ser mulher.
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