terça-feira, 8 de novembro de 2011

    Ei Vc ai....do outro lado do rádio, uma carta
                  Na verdade acho um crime imaginar que não lês o que escrevo. É no minimo maldade saber que as cartas que te envio ficam sem destino. Fico imaginando um limbo no universo, uma espécie de cratéra de sentimentos perdida na existência e nela um amontoado de letras, mais que isso um amontoado de bons fluidos. Engraçado eu falando em bons fluidos, mas lá, na parte iracional de mim, eu acredito que quando a gente ama alguém e pensa muito nela a gente se conecta a essa pessoa e além de ser capaz de sentir o que ela sente, é capaz de chamá-la. Eu te chamo muiiiito.
Mesmo assim, tu não lês o que escrevo e é tudo tão lindo. Adoro escrever-te. Hoje eu queria dizer que estou fazendo um puta esforço, estou tendo exito, ninguém percebe a camada grossa que espalhei em toda a minha pele.                  Depois de cada encontro fico gravida. Não és tu que me engravidas, eu quem fico gravida de ti. Não é um outro que cresce no meu ventre, és tu que toma conta do meu corpo. A minha ânsia de te abraçar me amolece o corpo, fico frouxa e solta, em em movimentos intensos tu vais entrando, entrando e te misturando a cada molécula de meu corpo, ocupando cada buraco de mim. Vou ficando cheia, tão cheia que se não me fecho escorregas pelas minhas pernas. Dali saio gravida, redonda, leve e flutuante como um balão de gás. Com firmeza me agarro a todos os braços que vivem comigo, na expectativa de que eles me sirvam de âncora e evitem que eu voe até a lua redonda brilhante como a do céu de hoje. Os dias vão passando e com muito esforço vou me desfazendo de ti, antes impreganado no meu corpo. Devagar, silenciosamente como um sussurro, no escuro para que ninguém descubra que secretamente te guardava em mim. E sem que possa controlar, o tempo passando, pelos poros tu vais saindo, até que um dia, voltas a ser outro, estranho, irreconhecivel, fora do meu corpo, diferente de mim. Eu queria uma vez, só uma vez, estar contigo novamente sem tanta distancia e ausencia. Assim, talvez, eu acabaria com a curiosidade de entender o que poderia acontecer se eu ainda estando gravida tu voltaste a entrar em mim.
                    um beijo

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