quarta-feira, 25 de julho de 2012


 Tempo. Que tempo?
Eu não tenho tempo para escrever sobre o tempo.
Lembrei  daqueles filmes onde o tempo se repete, onde  temos a chance de refazer o tempo.
Que momentos da minha vida eu refaria. Não vale dizer todos, como foi o que pensei em um relâmpago.  Quando criança as inúmeras vezes que me envergonho ainda hoje. Quando aceitei o convite da colega de aula para andar pela ponte, cheguei tarde a casa carregando minha irmã caçula, meus pais desesperados? Ainda lembro seus rostos. Não, não refaria, foi muito divertido. Uma liberdade que até hoje procuro. Bem, não me sentiria tão culpada e voltaria a fugir. Quem sabe quando entrei no deposito da loja de pneus a convite da melhor amiga e o tio aleijado dos donos, nossos parceiros de travessuras, me assustou com todos seus atributos acomodados sobre um pneu? Também não desta vez, aprendi com aquilo. A não aceitar qualquer convite, a não entrar onde não conheço e a não confiar cegamente.
  Quem sabe não ter beijado ardentemente meu par no baile dos 15 anos? Não seria possível, ele gostava de mim assim, assustada, ingênua e até meio burra. Teria perdido meu primeiro namorado. A gravidez aos 20 anos? Faria diferente, faria de outro modo, mas não perderia a oportunidade de ter comigo minha doce filha.
   Vamos lá, tenho pouco tempo. Que tempo eu refaria? Se eu tivesse a chance de viver de novo, que história eu mudaria? Congelaria o tempo naquela noite na praia paradisíaca em que das pedras eu via apenas a lua prateada refletida nas pedras e as estrelas? Não, apesar de inesquecível  muitas coisas vieram depois. O gosto daquele amor não foi mais definitivo que o sorriso do neto, nem que o calor de seu abraço.
   Mudaria quem sabe aquela noite em que te encontrei naquele bar? Quem sabe se não tivesse te esperado no banheiro e te beijado ardentemente?  Lembras? Estavas com as amigas que nos apresentaram? Quando levantaste e foste ao banheiro fui junto e sem pudor te beijei.  Quem sabe seria isso que eu mudaria. Não seria tão oferecida, teria esperado que mostrasses interesse por mim.  
  Não, nem isso eu mudaria. Na verdade, se o tempo voltasse e eu tivesse a possibilidade de viver novamente um dia, uma hora, um tempo, seria isso que eu mudaria. Depois do beijo eu não teria saído correndo e sumido da tua vida, eu teria ficado contigo e para sempre teria teu rosto iluminado pelas poucas luzes tendo o corcovado como moldura.  

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