Sentado a minha frente um homem
da minha idade faz adaptação de sua filhinha de 2 anos na escola infantil.
Em uma pequena sala, com mesas e
cadeiras de criança, algumas de mulheres jovens, atacadas pela mesma angústia, trocam
experiências. Presente apenas dois homens, o velho e um rapaz que acompanha seu
filho desde o primeiro dia. O pequeno e
meu neto enfrentam seus destinos sem covardia. As meninas, no entanto, choram,
se lamentam e torturam suas mães, cobrando caro a falta do pênis. Observo o
velho pai. O jovem não precisou de muitos estímulos para entrar na conversa e
falar acaloradamente de suas experiências. O velho continua fingindo que
consegue não ouvir e com arrogância intelectual lê seu livro fazendo anotações.
Muitas coisas eu pude retirar dessa experiência nesse universo já tão
distante para mim.
A dificuldade das mães em se
desprenderem dos filhos, a inabilidade das escolas para esclarecer o que é o
ingresso na escolinha, a histeria sendo instalada em meninas tão pequenas. Mas,
o que mais me chamou a atenção foi o homem da minha idade e sua filha fora de
época.
Casar com mulher mais jovem, sendo um homem
mais velho, é um hábito muito antigo que se mantém como pratica em algumas
culturas que tomamos como atrasadas. Foi muito comum antes dos métodos
contraceptivos, as mulheres precisavam ser jovens para aguentar tantas gravidezes.
Depois, o corpo jovem desse objeto de carne,
servia
de adorno para homens velhos e bem sucedidos, mas um pouco desprovidos de
outras virilidades. Aos poucos essa pratica foi sendo restrita a alguns vaidosos
de si mesmo, arrogantes e que já não queriam seguir os tempos e as convenções,
populares, ricos e ridicularizados.
Minha surpresa foi constatar que um número
expressivo de homens vinculados à cultura, artistas, jornalistas, intelectuais
de toda ordem, casavam com jovenzinhas quem sabe encantadas com um discurso de
modernidade, disfarçando o velho e antiquado machismo.
Em pouco tempo eles perdem a paciência com a
infantil jovialidade de suas parceiras. Elas se tornam velhas amargas e mal
comidas em busca do reconhecimento profissional e da posição que eles têm. A
triste nova cara de algo muito antigo.
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