terça-feira, 6 de abril de 2010

Glenn Close

10 de janeiro


Mesmo não tendo a intenção de me desculpar preciso admitir que tenho um trabalho estranho.
Nossas teorias estão sempre sendo questionadas, nossas posições colocadas a prova e a verdade do outro nos fazendo rever aquilo que tínhamos como certeza. Assim, ao final de tudo já não sabemos mais o que deve ser considerado e o que não passa de moral hipócrita e barata construída através das idéias masculinas e dessa cultura.
Não estou tentando desculpar minha falta de critério, mas estava pensando sobre a posição da personagem Glenn Close no filme “Atração fatal”. Claro que a moral protestante americana colocou uma loira louca punindo o desejo adultero do marido medíocre e medio, desejo que ele não tinha coragem de revelar.
Naquela situação não teria como desculpar a insistência daquela mulher que não conseguia aceitar que a proposta do homem era uma noite e nada mais. Tentar reverter o não, podemos pensar, era, naquele caso, uma demonstração de insanidade.
No entanto, quantas vezes esta vetada a mulher demonstrar seu desejo?
Quantas vezes as mulheres precisam ficar esperando que a neurose obsessiva dos homens nãos os impeçam de estabelecer uma relação interessante?
Pode parecer que estou defendendo o adultério, o que não é verdade, estou novamente pensando sobre uma questão que já escrevi em outros momentos.
Em outro momento escrevi sobre a influencia do cinema no imaginário que constitui a mulher, escrevendo sobre um filme inglês sobre o desejo na velhice.
Em um curso sobre as mulheres de Atenas fiquei me perguntando, para irritação dos colegas e professores, o quanto aquelas lendas escritas por homens para fomentar as fantasias deles sobre aquilo que eles pensavam serem as mulheres, acabou por ser uma sobreterminacao simbólica para a construção do feminino ocidental. Fiquei sem resposta. A pergunta sobre “o que é ser uma mulher” foi ao longo dos séculos sendo respondida pelos homens através de uma produção cultural que ironicamente excluía a mulher e o que é mais irônico, foi dizendo a ela o que é ser mulher e elas se identificando com isso.
Portanto: não seja bela, nem sedutora como Helena de Tróia, jamais traia, seja como Penélope, não seja uma Medeia com seu marido e filhos, espere por seu homem, pacientemente. Não seja insatisfeita como Madame Bovary isso lhe fará morrer como ela. Assim, também outros mitos mais modernos que a partir de uma sobrederminacao nos colocam fixamente em um imaginário do qual fica difícil de sair.
Dessa forma, as teorias construídas pelos homens sobre o que eles acreditam ser o feminino associa passividade ao masoquismo. Talvez para que possam bater nas mulheres sem culpa. Mas, na verdade porque para eles passividade é isso. Ainda falta um tanto, para que se possa dizer, afinal o que é ser mulher.

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