quarta-feira, 31 de março de 2010


Tenho certeza que a cidade que mais me emociona é o Rio de Janeiro. Também pelas inúmeras lembranças gostosas que tenho de lá, das caminhadas pelo aterro do Flamengo e dos banhos de sol em Ipanema. Pela visao do Cristo todo iluminado a noite, pelo cheiro da maresia e pelo sol batendo no mar. No entanto, as cidades Italianas me tocam de uma maneira difícil de descrever. A primeira que conheci foi Nápoles. Eu tinha acabado de ver "O carteiro e o Poeta" e ainda estava tocada pela frase da tia da Isabella: "Prefiro que alguem te leve a mao a bunda que te toque com palavras". Nápoles tem cor, tem lambretas, tem sol, tem paginas e paginas de petruccis na lista telefônica o que me fez ter certeza que eles vieram mesmo de lá. Depois Pompéia, inacreditavelmente atual, real. Veneza que nao suportei o romantismo e acabei brigando com meu marido. Páduva e a arcada do Santo Antonio, coitado, esquartejado pelos fieis. A Fontana di Trevi que parecia maior e mais bonita no cinema, mas o cinema faz isso, transforma tudo em maior e mais bonito.
Mas desta vez, e as fotos estao ai para mostrar, teve Milao e a neve que vi finalmente, caindo forte como chuva e branqueando tudo parecido Natal de filme. Teve Pizza, Como, Lugano, Genova e o tal de Cristovam que pelo tamanho da casa que morava deveria ser anao. Bergamo que jamais vou esquecer. Bergamo alta com ruas estreitas, restaurantes pequenos que convidam para um almoco a dois, com vinho e uma nesguinha de sol batendo no rosto. Lojinhas de cheiros e sabores, casas antigas e igrejas com historias infindaveis de artistas locais falando de Deus. Lá de cima Bergamo baixo, parece um cenario que vai acendendo as luzes vagarosamente enquanto o bruma encobre os morros, chorei. E, chorei de novo quando escutei Bacalov tocar seu tango em Verona. Lá me senti Julieta e morreria mil vezes se fosse preciso para jamais apagar a lembranca do imenso amor que se pode sentir por estar viva e estar ali. Viverei para voltar, agora a Palermo, a Capri e outras pequeninas cidades do sul, e prometo, vou chorar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário