07 de outubro
La Douleur
Eu li Marguerite Duras pela primeira quando foi lancado no Brasil o filme "O amante", digo isso com alguma vergonha,no entanto, nunca mais esqueci. Nas últimas páginas do livro, quando ela adulta em Paris recebe a ligacao daquele homem já velho dizendo que havia passado toda sua vida pensando nela, me acompanham até hoje. Esse amor prisao que nos condena a jamais esquece-lo. Nao achei belo, na verdade, nao se tratou disso, foi um sentimento de profunda tristeza que me acompanhou desde entao. Lembrar sem nunca mais deixar de amar é uma condenacao, tal como faziam as fadas más ou as bruxas dos contos de fadas: "Para sempre". Nao posso dizer que Margeurite Duras me apresentou a melancolia, esta é minha velha conhecida, fez-me entende-la melhor. Depois li o livro que mais me tocou e que agora revivi no POA em Cena: La Douleur. A espera, uma mulher que espera. Apenas hoje consegui perceber porque esse livro ficou na minha memoria mais como uma trauma do que como uma distracao. Isso, tem livros ou filmes que sao traumáticos, que a gente sobrevive a eles. Esse foi um deles. Verdade que eu sempre quis escrever como ela. Poder falar assim do meu sofrimento e dar um sentido para a melancolia que nao só ser sofrida por ela. O marido, um comunista, foi preso em um campo de concentracao. A guerra estava acabando e muitas pessoas estavam voltando desses campos. Ela nao tinha noticias e ficava em casa esperando que a qualquer momento o telefone que poderia tocar ou a porta, para avisar que ele havia voltado vivo. Bem o desenrolar do livro é muito interessante , mas, descobri que o me captura é a angútia da espera. O insuportavel dos minutos que podem modificar a nossa vida, o nosso humor, e transformar a profunda tristeza em uma grande felicidade. Nao se trata de qualquer espera, por exemplo a espera de um filho, a espera de um almoco, de um baile, de uma amigo, mas a espera de alguem que nao se sabe se vem, de alguem que nao nos diz se vem. Acho que é esse sentimento que ela divinamente nos transmite. De chorar.
quarta-feira, 31 de março de 2010
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